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A Marcha

26-03-2022


A Marcha

Criação: Adrian Maria Blount (sonoplasta) e Telmo Branco (coreografe).
Estreia: 26 de Março no Humboldt Forum, Berlim.

Esta peça é parte integrante do projecto "Moving the Forum", curadoria de Jana Luthje


" A Marcha" é um conglomerado de corpos, de testamentos vivos. "A Marcha" é um funeral, um parada, um motim, e uma representação das histórias variadas e por vezes opostas de indivíduos BIPOC LGBTQ+ e LGBTQ+ brancos. Este protesto de actuação convida a audiência a viajar pela trajectória daqueles que lutam contra sociedades coloniais e pós-coloniais.

A colonização foi um processo que aconteceu dentro e fora da terra do colonizador. Foi um processo sofrido por aqueles cujas identidades individuais e colectivas, não coincidiam com a cultura heteronormativa dos colonizadores.

Terras foram colonizadas, o conhecimento foi colonizado, identidades foram colonizadas, corpos foram colonizados. Duas opções restaram: resistir e sofrer, ou adaptar-se e desaparecer.

"A Marcha" tenta descolonizar o espaço e o corpo. Para o BIPOC LGBTQ+, pretende reconhecer o impacto que o colonialismo teve nos seus corpos, nas suas mentes, e nos seus antepassados, honrando o seu direito à existência.

Para o LGBTQ+ brancos, submerge na herança colonial que lhes foi transmitida, ao mesmo tempo que reconhece a doutrina forçada e fatalmente imposta aos seus géneros e sexualidades.

"A Marcha" convida os visitantes do museu a uma revolução. Uma revolução que visa desmantelar o espaço imperial, conscientemente recriado pelo Palácio de Berlim, expondo a fissura polarizante revelada quando os indivíduos oprimidos e marginalizados pelo seu legado habitam esse espaço.

Questões de investigação

O que é a identidade? Quem define identidade?
O que é o privilégio? O que é a normatividade? O que é a marginalização?
Quais são os efeitos psicológicos a longo prazo da marginalização sistémica?
Como é que a marginalização sistémica afecta o sentido de identidade?
O que significa ocupar um espaço que representa a violência colonial, a tentativa de genocídio e apagamento dos corpos QTBIPOC, e a reforma e esterilização forçada aos corpos QT brancos?
Será suficiente ocupar espaços opressivos com as próprias pessoas que estes espaços tentaram eliminar? Como podemos responsabilizar os monumentos, as instituições coloniais pelos seus crimes?
Onde é que as pessoas de QTBIPOC encontram esperança, validação e desfecho? Haverá espaço para celebração face à marginalização contínua? Estarão o luto e a celebração para sempre interligados nas experiências de vida dos indivíduos da QTBIPOC? Poderá a história pré-colonial e a tragédia destas comunidades ser reconciliada?

COM:

GodXXX Noirphiles (Adrian Marie Blount) - They/Them

GodXXX Noirphiles (Adrian Marie Blount)- Parent to Chance Aijuka/ Non Binary Femme Boi/Founder/Organizer/ Curator/DJ- Is based in Berlin by way of San Diego, CA. After attending San Francisco State to obtain their/her BA in theatre, she/they performed in New York, traveled across the country with a touring theatre troupe, then moved to Rhode Island to perform with various Brown University programs including the Center for Slavery and Justice, Brown/ Trinity and Trinity Repertory theatre. Since being in Berlin, Adrian has taught anti-racist and collective healing workshops with various organizations such as Dice Festival and Conference and AfriVenir, dj'd internationally, performed at München Kammerspiele, Volksbühne, Gorki, Sophiensaele, Ballhaus Naunynstrasse and English Theatre Berlin (and others) and is the founder and lead organizer of the drag collective House of Living Colors for exclusively queer and trans BIPOC.

Telmo Branco - ELU/ELUS

Telmo Branco (They / Them) - Telmo Branco é ume activiste trans não-binário e um artiste interdisciplinar formade nas áreas da representação, arte performativa, teatro físico, e dança contemporânea. Telmo Branco é originárie de Portugal e encontra-se sedeade em Berlim. Com consideração pela sensibilidade emocional, o seu trabalho é concebido para reflectir indivíduos queer e a suas história opressivas. Telmo Branco está actualmente a desenvolver "The Unspeakable", um projecto de activismo performativo sobre a estigmatização cultural da violência sexual infantil, financiado por DISTANZEN Solo | Dachverband Tanz Deutschland. O seu filme "The Tradition - The Film" está actualmente em exibição em galerias e festivais de cinema tais como: Hosek Contemporary (DE), Mala Voadora (PT), Selecção Oficial no Festival de Cinema "Make art no fear" (PT), Selecção Oficial nos Prémios Internacionais de Cinema da Madeira (PT), Selecção Oficial no Multiplié Dance Film (NO). Para além de desenvolver o seu próprio trabalho, colaborou com artistas de diferentes áreas tais como Veronica Riz (IT), Helena Waldmann (DE), Nir de Wolff (IL) , Annelie Andre (AT), Alexandra Pirici (RO), Falk Richter (DE), Lea Pitschke e Michael Baumann (DE), Shang-Chi Sun (TW) Ximo Flores (ES), etc